Tão velha era a dor
com sua roupa puída
ossos à mostra
joanetes à vista
rugas verticais.
Tão antigo o amor
espinho fincado
no centro do peito
seios abertos
ferida esgarçada.
Um dia a dor
caducou de velhice
e o amor esgotado
sem dar satisfação
acabou.
Fiquei vazia
vagas abertas
para receber a alegria.
Embriaguez
Gangorras

Provei dos frutos o mais doce
engoli o travo e o fel
bebi das flores o néctar
a sede matei com vinagre
desci aos abismos do mundo
visitei a morte sem máscara
a vida emprestou-me asas
voei aos píncaros distantes.
Nadei sobre o mar
mergulhei em mundos escuros
morri e nasci
tantas vezes.
Amei só como um louco
é capaz
aprendi a viver sem amar.
Tudo me foi dado
a tudo agradeci.
assim saltando
gangorras vivi
ainda vivo.
Nada mais temo.
O mar me agasalha
Não sou da terra
o mar tomado de contrações
expulsou-me de seu ventre escuro.
Nadei
na companhia dos cardumes
e das algas.
Embalada pelas ondas
cheguei à praia.
Meus pulmões acostumados
aos ritmos submarinos
estranhou os ares rarefeitos.
Cresci,aprendi a andar
mas até hoje
o mar me chama
clamo por seu agasalho
íntima sou
dos escuros mundos que abriga.
maratona
Embriagar-se
Fé
Temporais
Fomes ancestrais
Tempestades
Mergulha em meu ventre
Enterra a cabeça em meus seios
Cospe em minha boca
Essa ternura sarracena
Recolhe-me nos teus olhos
Faz-me prisioneira
Leva-me nas marés
Em teu barco torto de idas
Prende-me ao mastro
Deixa que ventos e temporais me açoitem
Antes que eu encontre alívio
Em teu corpo vestido de maresias.
Vem te dissolve em mim.








