CAOS

Catrin Welz Stein

Catrin Welz Stein

A desordem invadiu meus sonhos
Os astros giram em desalinho
Com a inversão dos eixos
Objetos voam pelas salas
Atropelando as nuvens
Vulcões extintos
Irrompem nas paredes
Ameaçando-me com suas lavas
Escaldantes.
Rios transbordam nas torneiras
E os mares,
Ah! os mares se dulcificam.
Como controlar a rebelião
de todos os elementos?
Como dominar a revolta dos sentimentos
A desfilarem nus e arrogantes
Diante da minha perplexidade?
Como conter os ventos
Que se anunciam indecentes
Ameaçando os campos?
Faz-se urgente que a ordem nasça
do caos
em que se agasalhou meu coração.

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Renascimento

Benjamin Lacombe

Benjamin Lacombe

Cada dia
nasço
toda noite
morro
viver assim
diariamente
é desafio
Abrir os olhos
encanta-me
ser me alivia
Hoje é eterno
amanhã
é outro dia.

Procedências II

Dima Dmitriev

Dima Dmitriev

Não se nasce
numa ilha
impunemente.
Braços não me alcançam
pontes não me prendem
solta sou
no meio do oceano.
Marés me transbordam
ventos me naufragam
raízes invisíves
me sustentam.
Vago livre
sobre as ondas
continente
sem amarras.

Rendição

Elena Shlegel

Elena Shlegel

Rende-te
depõe as armas
despe a armadura,
desnuda-te.
Viver exige
coragem
cobra nudez.
Aranca as máscaras
e deixa-te vencer
pela doçura.

POEMAR

Ferdinand du Puigaudeau

Ferdinand du Puigaudeau

Brinquei de roda
pulei amarelinha
construi castelos
fiz comidinha.
Brinquei até
fartar-me
e brinco ainda.
As palavras
são minhas ilhas
os poemas
as carruagens.
Visito mundos
conheço abismos
viver é de mentirinha.

Procedência

mar
Sou do mar
Há registros
no sal da pele
na cor dos olhos.
No dorso das ondas
galopei.
Dos fundos escuros
emergi.
Nas correntes marinhas
viajei.
Conheço corais
falo o dialeto
dos seres aquáticos.
Sou mar
em toda a minha extensão.
A ele voltarei
um dia.