A casa que me habita

Maurice Chevall

Michael Chevall

A casa que me habita
é nua de excessos.
Expulsei os escuros
estrangulei os rumores
deixei-a
reinada por silêncios
A casa que me habita
não admite forasteiros
grossos cadeados
lacram as portas
duplas venezianas
cerram as janelas.
Foi erigida num lugar ermo
sem permissão
a vizinhanças.
Lá brotam sementes
trazidas pelos ventos
nascem pássaros nas gramas
porque toda ela é um ninho.
De madrugada cigarras e lagartixas
grilos e bem-te-vis
invadem a casa
que me habita
a quebrar o jejum
de vozes.

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3 comments on “A casa que me habita

  1. clarisse born says:

    Magistral!

  2. Mariza says:

    Muito bom! Bjs.

  3. Que poema mais belo encanta diante desse lugar, um piano lindo ,e essa árvore em tom lilás! Sua sensibilidade me fascina…

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