Poemas de Lisboa

Em Lisboa

A cada esquina

Há saudades.

Em Lisboa

Não se morre

Fica-se

Preso às pedras

Polidas

Eternamente.

 

 

Tejjo

Tejjo

Lisboa

A teus pés

Inclino-me

Humilde e Desabitada

Tu me povoas

Por instantes

E logo

Me ausentas.

Caminho

E todos os caminhos

Desaguam no Tejo.

 

Tejo é um rio que pensa-se mar.

 

 

Não ha nuvens

No azul de Lisboa

Para não ferir

A tela virgem

Elas migram

Para outros sítios.

Alhures

 

David Orias

David Orias

O vento vindo

de lonjuras

trouxe-me notícias

de mar.

Saudades de algas

e corais

lamentos de ondas

açoites de marés.

Disse-me dos gritos

dos mariscos presos

ante às intempéries.

O vento

contou-me segredos

de outras eras

de povos perdidos

alhures.

Casulo

 

Katerina-Plotnikova

Katerina-Plotnikova

os olhos ardem

como se

o mar os invadisse

os ossos doem

como se

um lobo os triturasse

abandonar o casulo

exige tanto

sacrifício.

A casa paterna

 

Patty Maher

Patty Maher

Percorro a casa

e a casa me perde.

São tantos os cômodos

os labirintos

surpresas.

A casa da minha infância

me visita

Vultos a pertencem

vozes a ocupam

nas paredes carcomidas

vejo cenas

impressas ainda.

Volto à casa

e ela não me reconhece.

 

 

Carícia

 

Genutė Burbaitė

Genutė Burbaitė

É tão discreto

teu toque

tão silencioso

teu afago

roças meus poros

com tal delicadeza

sei quando és Tu

que me acaricias.