Guardo em mim
uma colcha de esperas.
Um querer feito
de silêncios
alimentado de orvalhos.
Guardo nos bolsos
retalhos de manhãs
que recolho
na vã ilusão
de viver um dia.
Carrego na alma
palavras inaudíveis
que talvez
nunca sejam ditas.
Trago nas mãos
gestos tão ternos
impossíveis
de serem traduzidos.
Sedução
À toa, à toa
Sonhos
Sonhei um amor
que transbordasse.
Ignorasse margens
desafiasse os ventos
e risse da lucidez
dos homens.
Quis um amor
sem limites
que cortasse
como navalha
sangrasse como um cordeiro.
Um sentimento
que me lançasse nos abismos
e me erguesse ao infinito.
Sonhei,
às vezes,
os sonhos são tão reais.









