e assim
vou-me deixando
lágrimas
essências
peles
penas!
Pelo caminho.
Dá-me tua mão
Vem
dá-me tua mão
segue-me.
Vou te revelar
o esconderijo
dos bichos de seda
verás como as abelhas
produzem o mel
e como se alimenta
o beija-flor.
Confia em mim
e descobrirás
onde se ocultam
as sementes
roubadas pelos pássaros
e como a terra
as recebe
em oferenda.
Vem comigo
que eu quero
te contar do
sacrifício das cigarras
e te lavar com
as primeiras gotas
de orvalho.
Vem dá-me tua mão
e me guia.
Aqui, acolá, além
Mártires
Príncipe
Alma enviesada
Ausente
Equilibrista
colecionadora
Coleciono perdas!
Ao longo da vida
acumulei
coisas perdidas.
Foram seres
amores
alegrias
inocência.
A cada perda
fiz-me mais leve
mais breve
mais nítida.
Quanto menos
tenho
menos almejo.
A cada dia
estou mais próxima
do espaço
das estrelas
do infinito.
Poucos fios
guardam
o que me resta.
Nem baú possuo,
reinos ou tesouros.
Preparo
minhas penas
apenas
para voar.









