TARDIAMENTE
Tesouros
Beijo
Valentia
Amei-te
com indecência.
Afrontei pudores
bani assombros
e te amei
até a exaustão.
E a ti
faltou coragem
para visitares
os labirintos
da minha alma.
De dor,
morreste-me.
O Tempo cerziu
os rasgos
do abandono
e eu voltei
à vida.
Deixaste-me estéril
infértil e cega
incapaz para o ofício
do amor.
Amar exige valentia.
Confidências
Identidade
CAOS
A desordem invadiu meus sonhos
Os astros giram em desalinho
Com a inversão dos eixos
Objetos voam pelas salas
Atropelando as nuvens
Vulcões extintos
Irrompem nas paredes
Ameaçando-me com suas lavas
Escaldantes.
Rios transbordam nas torneiras
E os mares,
Ah! os mares se dulcificam.
Como controlar a rebelião
de todos os elementos?
Como dominar a revolta dos sentimentos
A desfilarem nus e arrogantes
Diante da minha perplexidade?
Como conter os ventos
Que se anunciam indecentes
Ameaçando os campos?
Faz-se urgente que a ordem nasça
do caos
em que se agasalhou meu coração.









