Eu evito
renego
minto
sufoco
grito
esperneio.
Não olho
nem vejo
não visto
não quero
dilacero.
Não há
nunca houve
jamais existirá.
Sou eu a gritar
loucamente
contra o amor.
Um dia
sem avisar
eu fujo
pro mar.
Vou viver
de ventos e maresias
vou brincar
com as tempestades
e decorar
a tábua das marés.
Um dia,
eu juro
eu fujo
e viro concha
peixe,alga, gaivota
viro água salgada.
Vivo mar.
Quero ser bicho
pedra, flor
semente
qualquer espécie
independente de raça
modelo ou cor.
Quero tornar-me
mineral, vegetal,
animal
de tudo um pouco
ou coisa alguma.
Minha humanidade
me destrói.
Do pouco
que me sobrou
posso apenas
dividir contigo
uma alma nua
de ilusões
um corpo opaco
de desejos.
Se quiseres
te oferto
uma nudez
transparente
o momento
presente
revelado.
Só isso.
Mais não tenho.
Antes de trincarem
os cristais
antes de soarem
os campanários
antes de fundirem
os metais
antes das pontes elevadiças
antes da lava
se converter em dor
o Amor foi possível.