O que ainda tiver
que doer
que doa
que rasgue, dilacere
fira, mutile.
Que a dor
se esbalde,
se embriague
Depois:
Chega!
Basta!
Proibo-a
de me fazer
objeto de seu prazer.
Temia a vida
e as armadilhas
temia o amor
e as artimanhas
temia a loucura
e os mistérios.
Temia tanto
que trêmula vivia.
Medo que a vida
a dilacerasse
medo que o amor
a dissolvesse
que a loucura
a seduzisse.
Fugiu da vida
expulsou o amor
domou a loucura.
Vive num território
seguro
protegido
por cercas elétricas
habitado por ninguém.