Suzanna Majuri
Quero embebedar-me
de mar.
Andar trôpega
por suas espumas
lançar o corpo
tonto
em suas marés.
Quero embebedar-me
de mar
perder a lucidez
até naufragar-me.
Nunca nadei
num mar de rosas.
Amalgamei
cores ao rosto
difícil achar
o essencial.
Mimetisei-me
nos galhos,folhas,
sementes abortadas
adquiri propriedade
do obscuro
e descobri a fórmula
do invisivelmente.
Ofensas não mais
me acham
abates, eu lhes escapo
driblo tropeços
brinco de esconde-esconde
com as intempéries.
Não sendo nada
posso ser tudo.
